Mais de 800 pinguins encalharam no litoral paranaense no último mês

Setembro foi o mês de maior número de registros no estado este ano


Foto: Divulgação/PMP-BS/LEC-UFPR


Esta época do ano é marcada pela chegada de Pinguins-de-Magalhães (Spheniscus magellanicus) no litoral brasileiro. Só em setembro deste ano, foram registrados 834 encalhes da espécie no litoral do Paraná. Os animais foram atendidos pela equipe do Laboratório de Ecologia e Conservação (LEC), da Universidade Federal do Paraná (UFPR), responsável pelo trecho paranaense do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), desenvolvido para o atendimento de condicionante do licenciamento ambiental das atividades da Petrobras. Foi o maior número de pinguins resgatados este ano pela equipe na região.


Entre os meses de maio e início de novembro, é comum encontrarmos pinguins na costa brasileira do sul e sudeste. Isso acontece porque eles deixam suas áreas reprodutivas no sul da Patagônia (Argentina e Chile) e migram para as águas brasileiras em busca de alimento. O trajeto de quase 4.000 km muitas vezes deixa os animais cansados e debilitados, facilitando o encalhe, principalmente dos animais mais jovens, que são inexperientes e têm menor quantidade de reservas energéticas.


“Os encalhes são mais frequentes quando os animais encontram situações ruins oceanográficas e climáticas, como as frentes frias que afetam a condição de saúde dos animais já debilitados e trazem suas carcaças para as praias”, explica a bióloga e coordenadora do PMP-BS via LEC-UFPR, Camila Domit.


Desde o início deste ano, foram registrados 1.368 encalhes de pinguins na costa paranaense. Cerca de 3% deles foram resgatados vivos e entre estes a maioria apresentava quadro de desnutrição e debilitação. Os veterinários e tratadores da equipe do LEC, via PMP-BS, fazem o atendimento dos animais para que recuperem a saúde e voltem à natureza. No caso dos pinguins, em geral, são formados grupos de oito a dez aves para soltura.


O trabalho da equipe do PMP-BS tem como desafio registrar os animais encalhados e conhecer os impactos à biodiversidade marinha, mas também contribuir com a recuperação da saúde da fauna marinha resgatada e ajudá-los a voltar para a natureza. Coletivamente as ações executadas pelo LEC tem o objetivo de colaborar com a ciência para conhecermos a qualidade ambiental e saúde do oceano, assim como com a conservação das espécies marinhas que habitam o oceano Atlântico Sul.


O monitoramento, proteção e recuperação da biodiversidade dos ecossistemas marinhos e costeiros e da sua saúde é parte de um dos dez desafios da Década das Nações Unidas de Ciência Oceânica para o Desenvolvimento Sustentável, declarada pela Organização das Nações Unidas como o período de 2021 a 2030 dedicado à estimular o conhecimento sobre o mar em busca de um oceano limpo, saudável, previsível, seguro, produtivo e conhecido. A UFPR, através do LEC e de seus projeto, é uma das instituições participantes das ações a nível global em busca de desenvolver “A ciência que necessitamos para o oceano que queremos”.



SOBRE O PMP-BS


O Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) é uma atividade desenvolvida para o atendimento de condicionante do licenciamento ambiental federal das atividades da Petrobras de produção e escoamento de petróleo e gás natural na Bacia de Santos, conduzido pelo Ibama.


Esse projeto tem como objetivo avaliar os possíveis impactos das atividades de produção e escoamento de petróleo sobre as aves, tartarugas e mamíferos marinhos, através do monitoramento das praias e do atendimento veterinário aos animais vivos e necropsia dos animais encontrados mortos.


O projeto é realizado desde Laguna/SC até Saquarema/RJ, sendo dividido em 15 trechos. O LEC/UFPR monitora o Trecho 6 (Paraná), compreendido entre os municípios de Guaratuba e Guaraqueçaba.


Ao encontrar animais marinhos debilitados ou mortos nas praias de Pontal do Paraná e de todo o litoral paranaense é possível acionar a equipe do PMP-BR/Laboratório de Ecologia e Conservação (LEC) do Centro de Estudos do Mar (CEM) da UFPR pelo 0800 642 33 41 ou pelo whatsapp (41) 9 92138746.