Grupo de Pinguins-de-Magalhães volta ao mar nesta terça-feira

O público poderá acompanhar a soltura dos animais reabilitados


Foto: Divulgação/PMP-BS/LEC-UFPR


Oito Pinguins-de-Magalhães (Spheniscus magellanicus) serão soltos na Praia de Pontal do Sul (próximo a Assenodi), município de Pontal do Paraná, nesta terça-feira, 12, às 11h. A equipe do Laboratório de Ecologia e Conservação (LEC) do Centro de Estudos do Mar (CEM) da UFPR, via Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), fará a soltura dos animais reabilitados, que poderá ser acompanhada pelos comunitários que desejarem compartilhar este momento.


O grupo de animais passou cerca de um mês em tratamento acompanhado pela equipe técnica do PMP-BS/UFPR, incluindo veterinários, tratadores e demais técnicos. A maioria dos pinguins apresentava quadro de desnutrição e debilitação devido ao esforço no percurso que percorrem até chegar ao litoral brasileiro em busca de comida, comportamento comum nesta época do ano quando deixam as áreas reprodutivas ao sul. Essa espécie tem colônias reprodutivas na região Patagônica, na Argentina e Chile e nas Ilhas Malvinas.


O processo de migração consome muita energia dos animais, fazendo com que alguns fiquem debilitados e encalhem nas praias da região. “Todos os pinguins atendidos pelo LEC/UFPR chegaram com hipotermia (temperatura corporal baixa), frequência cardíaca e respiratória mais baixa do que o normal, glicemia baixa e desidratação severa”, conta o responsável técnico veterinário, Fábio Henrique de Lima.


Segundo o veterinário, é comum encontrar pinguins mais jovens encalhados, tendo de 2 a 3 anos de idade, pela inexperiência destes indivíduos no processo migratório- mudança do seu local de origem.


O trabalho da equipe do PMP-BS/UFPR inclui o resgate dos animais na praia, a avaliação das condições de saúde dos animais que encalham, o atendimento e a reabilitação para possibilitar que eles voltem para a natureza. Além do atendimento à fauna, o LEC/UFPR, via PMP-BS, avalia todo o ambiente costeiro e marinho.


“Este trabalho, além de contribuir com a conservação da biodiversidade, ainda atua como um monitoramento da qualidade do ambiente e auxilia a sociedade e governantes no desenvolvimento de melhores ações para a proteção ambiental”, comenta a coordenadora do PMP-BS na UFPR, Camila Domit.


Ao encontrar pinguins debilitados ou mortos nas praias do litoral do Paraná é possível acionar a equipe do PMP-BR/Laboratório de Ecologia e Conservação (LEC) do Centro de Estudos do Mar (CEM) da UFPR pelo 0800 642 33 41 ou pelo whatsapp (41) 9 92138746.



SOBRE O PMP-BS


O Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) é uma atividade desenvolvida para o atendimento de condicionante do licenciamento ambiental federal das atividades da Petrobras de produção e escoamento de petróleo e gás natural na Bacia de Santos, conduzido pelo Ibama.


Esse projeto tem como objetivo avaliar os possíveis impactos das atividades de produção e escoamento de petróleo sobre as aves, tartarugas e mamíferos marinhos, através do monitoramento das praias e do atendimento veterinário aos animais vivos e necropsia dos animais encontrados mortos.


O PMP-BS é realizado desde Laguna (SC) até Saquarema (RJ), sendo dividido em 15 trechos. O LEC/UFPR monitora o Trecho 6 (Paraná), compreendido entre os municípios de Guaratuba e Guaraqueçaba.



SOBRE A ESPÉCIE


Pinguim-de-Magalhães é a espécie de pinguim mais comum na costa brasileira. As áreas reprodutivas são caracterizadas por grandes colônias na costa da Patagônia, Argentina, Chile e Ilhas Malvinas. Durante a época de reprodução, que segue de setembro a fevereiro, formam casais monogâmicos que constroem seus ninhos no chão ou em pequenas tocas, revezando a incubação dos ovos e os cuidados com os filhotes duram dois meses até sua independência.


Quando juvenis, sua coloração não possui marcação e as penas variam do tom de cinza-claro a escuro. Quando adultos, apresentam uma coloração rósea acima dos olhos e faixa branca que contorna a cabeça e se une no pescoço. Esta faixa segue contornando peito e barriga acompanhada de outra faixa preta, formando um desenho semelhante a um “smoking”.


Não é possível identificar machos e fêmeas externamente, mas os machos reprodutivos são ligeiramente maiores que as fêmeas. Saem para pescar em bandos de 5 a 10 indivíduos, mergulhando até 90 metros de profundidade e chegam a 40 km/h em caso de fuga de predadores.


Fonte: Plano Nacional de Monitoramento de Pinguim-de-Magalhães - ICMBio