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Frentes frias marcam início da temporada de espécies migratórias no litoral do Paraná

  • há 2 dias
  • 4 min de leitura

Com o inverno se aproximando, aves marinhas, mamíferos e outros animais iniciam a migração e podem ser vistos no litoral paranaense


A chegada de frentes frias ao Sul do Brasil marca o início de um período importante para a fauna marinha. Todos os anos, a partir dos meses de maio e junho, diversas espécies migratórias, vindas do sul, do norte e do leste, utilizam a costa paranaense durante a migração, aumentando os registros na região. Neste período, a equipe do Laboratório de Ecologia e Conservação (LEC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), executora do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) no Paraná, intensifica a atenção enquanto segue com o monitoramento contínuo e o atendimento aos animais marinhos encontrados ao longo da costa.

Entre as espécies registradas nesta época do ano estão os pinguins-de-Magalhães (Spheniscus magellanicus), petréis-gigantes (Macronectes giganteus), lobos-marinhos (Arctocephalus australis e Arctocephalus tropicalis) e, além das baleias-jubarte (Megaptera novaeangliae) e baleias-franca (Eubalaena australis), que utilizam a costa brasileira durante suas migrações reprodutivas. Embora a presença dessas espécies seja considerada natural para a estação, parte dos indivíduos podem apresentar sinais de exaustão, debilidade e interações com atividades humanas, necessitando de atendimento especializado. Diversas espécies migratórias estão ameaçadas de extinção e os encalhes nos permitem compreender melhor seu comportamento, caracterizar as populações e identificar impactos que afetam a sua conservação.


Petrel-gigante (Macronectes giganteus) - Imagem: Acervo LEC-UFPR
Petrel-gigante (Macronectes giganteus) - Imagem: Acervo LEC-UFPR

A migração é um processo natural e biológico de diversas espécies, permitindo que busquem áreas de alimentação, reprodução e desenvolvimento mais adequadas em determinadas épocas do ano. Entretanto, fatores como mudanças climáticas, sobrepesca, escassez de alimento, poluição e perda de habitats, assim como outras interações com atividades humanas tendem a influenciar os deslocamentos e a saúde dos animais. “Somos um ponto de parada ou passagem muito importante das rotas migratórias no oceano Atlântico, e é comum observarmos a presença de diferentes espécies migradoras no litoral do Paraná durante este período. As ocorrências são sazonais, mas muitos desses animais chegam à costa em condições que demandam atenção, exigindo cuidados especializados e um olhar atento para as ações integradas entre pesquisa, gestão e sociedade para promover a conservação das espécies e o uso sustentável dos recursos marinhos”, explica Camila Domit, coordenadora do PMP-BS/LEC-UFPR e professora da UFPR. A conservação e o monitoramento destas espécies são parte dos compromissos governamentais do Brasil, que, além de políticas públicas nacionais para compreender e proteger estes animais, ainda firmou acordos em convenções internacionais. A Convenção de Espécies Migratórias (CMS) é a mais importante neste tema, e em 2026 o Brasil sediou a reunião onde foram firmados novos e fortalecidas resoluções de conservação com foco nestas espécies.


Lobo-marinho-subantártico (Arctocephalus tropicalis) - Imagem: Acervo LEC-UFPR
Lobo-marinho-subantártico (Arctocephalus tropicalis) - Imagem: Acervo LEC-UFPR

Monitoramento e atendimento à fauna marinha


A equipe multidisciplinar do PMP-BS/LEC-UFPR realiza monitoramentos diários ao longo das praias do litoral paranaense para registrar ocorrências envolvendo animais vivos, debilitados ou mortos. Quando necessário, os animais resgatados são encaminhados ao Centro de Reabilitação, Despetrolização e Análise da Saúde da Fauna Marinha (CReD) da UFPR, onde recebem atendimento veterinário especializado.

O trabalho envolve avaliação clínica, exames laboratoriais, suporte nutricional, tratamentos específicos e acompanhamento constante até que os animais apresentem condições favoráveis para retornar à natureza. Além do atendimento, as informações obtidas contribuem para pesquisas e monitoramento da espécie ao longo da costa brasileira. “Muitos dos animais encontrados durante esse período chegam após percorrer milhares de quilômetros e é comum encontrarmos os indivíduos debilitados por diferentes fatores associados ao processo migratório. Por isso é importante o atendimento rápido e adequado, para aumentar as chances de recuperação e permitir que retornem ao ambiente marinho em melhores condições”, afirma Andressa Rorato, médica-veterinária do PMP-BS/LEC-UFPR.


Apoio ativo da comunidade


Com o aumento da presença de espécies migratórias no litoral, a participação da população é essencial para o atendimento adequado dos animais. Muitas vezes, os primeiros registros de encalhes são realizados por comunitários, pescadores locais e turistas que entram em contato com a equipe após encontrar um animal na praia.

A orientação é que, ao avistar qualquer animal marinho encalhado, vivo ou morto, a população evite qualquer tipo de manipulação. Tentativas de devolução ao mar ou de oferecer alimento e água podem agravar o estado de saúde do indivíduo e comprometer seu resgate e reabilitação.

Além disso, é importante manter distância, afastar animais domésticos e evitar aglomerações no entorno do animal até a chegada da equipe especializada.


O que fazer ao encontrar um animal marinho encalhado?


O PMP-BS/LEC-UFPR reforça à população que, ao encontrar um animal marinho na praia, é importante:


– Não tocar, manipular ou tentar devolvê-lo ao mar; – Manter distância segura do animal; – Afastar cães e outros animais domésticos; – Evitar aglomerações e excesso de ruído; – Acionar imediatamente a equipe responsável pelo atendimento.


Telefone para contato no Paraná: 0800 642 33 41 ou (41) 99213-8746.


Com o inverno se aproximando e o aumento esperado de ocorrências de encalhes, o acionamento é um verdadeiro aliado. “Cada acionamento realizado pela população permite uma resposta mais rápida, contribuindo para o bem-estar dos animais, saúde ambiental e para a geração de informações que auxiliam na conservação da biodiversidade marinha”, completa Camila.


SOBRE O PMP-BS

A realização do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) é uma exigência do licenciamento ambiental federal, conduzido pelo Ibama, para as atividades da Petrobras de produção e escoamento de petróleo e gás natural na Bacia de Santos. No estado do Paraná, Trecho 6, a execução do projeto é realizada pela equipe LEC/UFPR (@lecufpr e www.lecufpr.net).

 
 
 

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