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Caso inédito: filhote de elefante-marinho-do-sul é registrado e segue em reabilitação no Paraná

Atualizado: há 5 dias

Espécie tem ocorrência ocasional no Brasil e nascimentos não são comuns na região


O registro de um filhote de elefante-marinho-do-sul (Mirounga leonina) no litoral do Paraná representa um evento incomum para a região e de grande relevância científica. A espécie pertence ao grupo dos pinípedes, o mesmo das focas e leões-marinhos, e é reconhecida por seu grande porte e por realizar longas migrações oceânicas entre áreas de alimentação e reprodução.

No Brasil, os elefantes-marinhos ocorrem de forma ocasional, pois em geral o deslocamento destes animais ocorre entre áreas tradicionais de reprodução, localizadas no sul da Argentina, e regiões subantárticas utilizadas para alimentação. Os nascimentos normalmente acontecem longe da costa brasileira, em ambientes e em condições ambientais específicas, no entanto, registros de indivíduos jovens apesar de raros, têm sido registrados na região sul do país, incluindo um nascimento acompanhado em Santa Catarina em 2024.


Elefante-marinho em reabilitação na piscina. Imagem: LEC-UFPR
Elefante-marinho em reabilitação na piscina. Imagem: LEC-UFPR

Indícios de nascimento na região


O indivíduo registrado no Paraná em 26 de dezembro de 2025, é um filhote macho, com 1,79 metro de comprimento e 65,9 quilos. De acordo com a equipe técnica, o tamanho, a massa corporal e o estágio de desenvolvimento são compatíveis com um indivíduo muito jovem.

Segundo Fabio Henrique de Lima, médico-veterinário e responsável técnico pelo Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS/LEC-UFPR), a avaliação do desenvolvimento do animal é um indicativo importante. “O tamanho, a massa corporal e as características físicas observadas são compatíveis com um filhote muito jovem. Esses elementos sugerem que o nascimento pode ter ocorrido na própria região Sul do Brasil, embora não seja possível determinar com precisão o local”, diz, Fabio.


Veterinário avaliando animal na praia. Imagem LEC-UFPR
Veterinário avaliando animal na praia. Imagem LEC-UFPR

Uma das hipóteses consideradas pelos pesquisadores é que a fêmea tenha buscado ilhas inabitadas do litoral paranaense ou adjacências como local para o parto e os cuidados iniciais com o filhote. Essas áreas podem oferecer maior tranquilidade, menor interferência humana e condições mais favoráveis durante o período mais sensível da vida do animal.


Comportamento da espécie e possíveis mudanças recentes


O comportamento reprodutivo do elefante-marinho-do-sul é bem conhecido em suas áreas tradicionais, onde as fêmeas permanecem em terra durante o período de amamentação, garantindo proteção e descanso aos filhotes nas primeiras semanas de vida.

No entanto, nos últimos anos, pesquisadores vêm observando possíveis mudanças nesse padrão, especialmente após eventos sanitários de grande impacto, como a gripe aviária (H5N1), que afetou colônias de pinípedes no oceano Atlântico Sul.

Estudos recentes indicam que a doença causou reduções expressivas nas populações de elefantes-marinhos, com registros de mortalidade elevada, principalmente entre fêmeas reprodutoras, em regiões Antárticas como a Geórgia do Sul. Esse cenário pode influenciar a dinâmica populacional da espécie e o uso de áreas alternativas para descanso e reprodução.

De acordo com Camila Domit, bióloga e coordenadora do PMP-BS/LEC-UFPR, esses registros precisam ser analisados dentro de um contexto mais amplo. “Casos como este indicam que precisamos olhar com atenção para possíveis mudanças no comportamento da espécie. A escolha de áreas não tradicionais para reprodução ou descanso pode estar relacionada a fatores ambientais, sanitários ou à própria dinâmica populacional e ambiental”, explica Camila.


Registros recentes no sul do Brasil


O caso do filhote registrado no litoral do Paraná não é isolado. Em outubro de 2024, foi registrado, pela primeira vez no Brasil, o nascimento de um elefante-marinho em Garopaba, Santa Catarina, fato que mobilizou instituições ambientais e científicas e reforçou a atenção para a presença reprodutiva da espécie no sul do país. Além deste, segundo os dados do Sistema de Informação de Monitoramento da Biota Aquática (SIMBA), de janeiro a setembro de 2025 foram 11 registros desta espécie na região sul. 

Esses registros, ainda considerados raros, contribuem para ampliar o conhecimento sobre a distribuição geográfica, o comportamento e as possíveis adaptações e impactos aos elefantes-marinho-do-sul em um cenário de drásticas mudanças ambientais e de qualidade do oceano.

Filhote de elefante-marinho encalhado em Matinhos, sendo monitorado pela equipe do PMP-BS/LEC-UFPR. Imagem_LEC-UFPR

Importância do monitoramento


A trajetória deste filhote evidencia a importância do monitoramento contínuo das praias, que possibilita o registro de ocorrências e a produção de dados fundamentais para a ciência e para a conservação da fauna marinha.

Thomaz Barreto, biólogo e assistente técnico de campo do PMP-BS/LEC-UFPR, explica que o acompanhamento desses casos é essencial para a compreensão da dinâmica das espécies. “Cada registro contribui para entendermos melhor como essas espécies utilizam o litoral brasileiro e como as mudanças no oceano e clima estão afetando a dinâmica de suas populações. O monitoramento diário permite identificar padrões, registrar exceções e construir uma base de dados sólida para a conservação das espécies e seus habitats”, afirma Thomaz.

A ocorrência deste filhote de elefante-marinho no litoral do Paraná reforça a necessidade de manter esforços de pesquisa, monitoramento e articulação entre instituições e sociedade, ampliando o conhecimento sobre a fauna marinha e suas possíveis mudanças de comportamento ao longo do tempo e em resposta às alterações ambientais.


Filhote de elefante-marinho em reabilitação. Imagem: LEC-UFPR

SOBRE O PMP-BS

A realização do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) é uma exigência do licenciamento ambiental federal, conduzido pelo Ibama, para as atividades da Petrobras de produção e escoamento de petróleo e gás natural na Bacia de Santos. No estado do Paraná, Trecho 6, a execução do projeto é realizada pela equipe LEC/UFPR (@lecufpr e www.lecufpr.net).

 
 
 

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