Tartaruga-gigante é resgatada com vida, mas morre no litoral do Paraná

Apesar dos esforços das equipes do PMP-BS o animal não resistiu


Foto: Divulgação/PMP-BS/LEC-UFPR


Pela primeira vez, após sete anos de monitoramento de animais nas praias, uma tartaruga-gigante (Dermochelys coriacea) foi encontrada viva encalhada na praia de Itapoá Norte, em Santa Catarina, nesta sexta-feira, dia 22 de julho. As equipes envolvidas no resgate e assistência do animal prestaram o atendimento necessário, mas durante a madrugada de sábado, a tartaruga não resistiu e veio a óbito. A espécie está criticamente ameaçada de extinção.


Os profissionais da equipe da UNIVILLE, via Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) fizeram o primeiro atendimento em campo, dispondo de todo o conhecimento e recursos que tinham. O diagnóstico inicial indicava que a tartaruga precisaria ser encaminhada para reabilitação. O centro estruturado para este atendimento mais próximo ao local do encalhe era o da UFPR (campus Pontal do Paraná).


Em ação colaborativa, as equipes PMP-BS do LEC/UFPR e da UNIVILLE fizeram o transporte do animal de Itapoá até o Centro de Reabilitação em Pontal do Paraná. O trajeto entre os municípios durou quase três horas devido a neblina e trânsito, comuns neste trecho nas noites de sexta-feira.


Em Pontal do Paraná, a equipe preparou uma estrutura médica para fazer o atendimento em ambiente natural, na praia de Pontal do Sul, devido ao tamanho do animal - 1,95 m de comprimento total. “Um indivíduo deste porte e pertencente a uma espécie tão ameaçada demanda de todo o conhecimento disponível e de um esforço integrado para potencializar a chance de sucesso de tratamento”, explica a bióloga coordenadora do PMP-BS no LEC/UFPR, Camila Domit, enfatizando que seria um grande desafio reverter o quadro do encalhe e reabilitar o animal.


Infelizmente, o animal veio a óbito pouco tempo após sua chegada à praia de Pontal do Sul. Segundo a bióloga Domit, essa espécie é muito sensível ao cativeiro, ao transporte e ao processo de reabilitação. Ambas as equipes declararam que “sentiram profundamente a perda do animal, ainda mais por ser uma tartaruga fêmea, adulta e madura sexualmente”, ou seja, um indivíduo com alto potencial de colaboração para que a população dessa espécie possa se recuperar.


A equipe PMP-BS da UFPR conduziu o trabalho de identificação da causa da morte e das patologias associadas ao encalhe do animal. Às 06 horas do sábado, os profissionais iniciaram o processo de necropsia. Inicialmente, foram detectados sinais de pneumonia, congestão e vários processos inflamatórios, o que indica que a tartaruga já estava há um tempo debilitada. Também foram encontradas marcas sugestivas de interação com atividade pesqueira e, por consequência, afogamento do animal. A previsão do laudo completo da necropsia do animal é de 90 dias.


A coordenadora Domit lamenta o caso da tartaruga e afirma que agora é o momento de “juntar todo esse quebra-cabeça” para entender o que aconteceu com o animal. “Vamos continuar trabalhando juntos, discutir sobre esses dados com os outros integrantes do PMP-BS, vamos aprender e fazer nosso melhor para que toda a situação seja revertida em conhecimento e conservação para essa espécie ameaçada de extinção e para muitas outras espécies com as quais nós trabalhamos”, deseja a coordenadora.




SOBRE A ESPÉCIE

A tartaruga-gigante é uma espécie globalmente ameaçada de extinção. Seu peso pode chegar a 500 kg e sua carapaça pode medir até 182 cm de comprimento curvilíneo. Ela vive em zonas tropicais e temperadas dos Oceanos Índico, Pacífico e Atlântico (Fonte: Projeto Tamar), mas se aproxima das regiões costeiras em períodos onde há mais disponibilidade de alimento, como as águas-vivas. No Brasil, essa tartaruga costuma buscar alimento nas regiões sudeste e sul.


A espécie é avistada em regiões costeiras na época de desova. O litoral norte do Espírito Santo, próximo à foz do Rio Doce, é a área mais conhecida de desovas regulares do animal. No Paraná, não é comum avistar a espécie, mas já foram registradas fêmeas em atividades de desova em 2007, 2009, 2014 e 2020. Também já tiveram registros dessa espécie no estado em atividade de alimentação.


Ao encontrar tartarugas marinhas debilitadas ou mortas nas praias de Pontal do Paraná é possível acionar a equipe do PMP-BR/Laboratório de Ecologia e Conservação (LEC) do Centro de Estudos do Mar (CEM) da UFPR pelo 0800 642 33 41 ou pelo whatsapp (41) 9 92138746.



SOBRE O PMP-BS


O Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) é uma atividade desenvolvida para o atendimento de condicionante do licenciamento ambiental federal das atividades da Petrobras de produção e escoamento de petróleo e gás natural na Bacia de Santos, conduzido pelo Ibama.


Esse projeto tem como objetivo avaliar os possíveis impactos das atividades de produção e escoamento de petróleo sobre as aves, tartarugas e mamíferos marinhos, através do monitoramento das praias e do atendimento veterinário aos animais vivos e necropsia dos animais encontrados mortos.


O PMP-BS é realizado desde Laguna (SC) até Saquarema (RJ), sendo dividido em 15 trechos. O LEC/UFPR monitora o Trecho 6 (Paraná), compreendido entre os municípios de Guaratuba e Guaraqueçaba.