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Lobo-marinho-sul-americano reabilitado retorna ao oceano com monitoramento por satélite no litoral do Paraná

  • 24 de jul.
  • 3 min de leitura

O rastreador permite acompanhar os deslocamentos do animal e ampliar estudos sobre a espécie na utilização da costa brasileira durante o inverno


Um lobo-marinho-sul-americano (Arctocephalus australis) reabilitado pelo Laboratório de Ecologia e Conservação da Universidade Federal do Paraná, através do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS), retornou ao oceano na última quarta-feira (22), equipado com um transmissor satelital. O dispositivo permitirá acompanhar seus deslocamentos após a soltura e ampliar o conhecimento sobre o comportamento da espécie durante sua passagem pela costa.

O animal, um macho juvenil com aproximadamente 1,20 metro de comprimento e 18 quilos, foi encontrado no balneário Shangri-lá, em Pontal do Paraná, durante o monitoramento regular realizado pela equipe do PMP-BS/LEC-UFPR. Após avaliação clínica em campo, foi encaminhado ao Centro de Reabilitação, Despetrolização e Análise da Saúde da Fauna Marinha (CReD), onde permaneceu sob cuidados da equipe multidisciplinar até concluir o tratamento.


Soltura de lobo-marinho-sul-americano no litoral do Paraná. Imagens: LEC-UFPR

Reabilitação para o retorno à vida livre

Durante o período de reabilitação, o animal recebeu tratamento veterinário, alimentação adequada, monitoramento constante e passou por exames complementares que permitiram acompanhar sua evolução e definir o momento mais seguro para seu retorno ao oceano.

Além do tratamento, foram coletadas amostras biológicas e realizados procedimentos de identificação individual, como microchipagem e a marcação com brinco na nadadeira torácica, contribuindo para futuras pesquisas e eventuais novos avistamentos. "O processo de reabilitação é individualizado e busca garantir que o animal recupere plenamente suas condições de saúde para retornar ao oceano. A soltura só é realizada quando confirmado que o paciente está apto para sobreviver de forma independente no ambiente natural", explica Fábio Henrique Lima, médico-veterinário e responsável técnico do PMP-BS/LEC-UFPR.


Transmissor satelital: tecnologia aliada da ciência e da conservação

Como parte das ações de pesquisa desenvolvidas, o lobo-marinho também recebeu um transmissor satelital de aproximadamente 140 gramas e com 8,3 x 5 cm, equipamento desenvolvido especialmente para animais marinhos e que não interfere na mobilidade nem no comportamento natural do animal. O dispositivo é colado na pelagem e, após um  período, o equipamento se desprende naturalmente.

Segundo a bióloga Liana Rosa, gerente operacional do PMP-BS/LEC-UFPR, o monitoramento permitirá acompanhar parte da jornada do animal após o retorno ao mar e gerar informações importantes sobre a espécie e o processo de reabilitação. "Embora o lobo-marinho-do-sul seja uma das espécies de pinípedes mais registradas no litoral paranaense, ainda conhecemos pouco sobre seus deslocamentos, áreas de descanso e permanência na costa brasileira. A telemetria nos permitirá acompanhar esse indivíduo e ampliar o conhecimento sobre o comportamento da espécie, gerando informações que poderão subsidiar futuras ações de conservação", diz Liana.


Liana Rosa, biológa e gerente operacional do PMP-BS/LEC-UFPR explica sobre a tag de monitoramento por satélite

Esta é a segunda soltura de pinípedes com monitoramento satelital realizada pelo LEC-UFPR em 2026. Em janeiro, um filhote de elefante-marinho-do-sul (Mirounga leonina) também foi reabilitado, devolvido ao oceano e acompanhado por meio da mesma tecnologia.


Registro do transmissor do lobo-marinho-sul-americano. Imagem: LEC-UFPR
Registro do transmissor do lobo-marinho-sul-americano. Imagem: LEC-UFPR

Conhecimento para proteger o oceano

O lobo-marinho-do-sul possui distribuição natural na América do Sul, com colônias reprodutivas principalmente na Argentina, Uruguai e sul do Chile. Durante o inverno, é comum que indivíduos, especialmente juvenis, utilizem praias e ilhas do Sul e Sudeste do Brasil como áreas temporárias de descanso durante seus deslocamentos em busca de alimento.

Mesmo após a soltura, o animal poderá ser novamente observado em praias da região, comportamento considerado natural para a espécie. Caso isso aconteça, a orientação é não se aproximar, não tocar, não alimentar o animal e manter pessoas e animais domésticos afastados, acionando imediatamente a equipe do PMP-BS.

Está soltura representa o retorno de um animal ao ambiente natural, simboliza o fortalecimento de medidas e ações desenvolvidas para proteger a megafauna marinha.



SOBRE O PMP-BS

A realização do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS) é uma exigência do licenciamento ambiental federal, conduzido pelo Ibama, para as atividades da Petrobras de produção e escoamento de petróleo e gás natural na Bacia de Santos. No estado do Paraná, Trecho 6, a execução do projeto é realizada pela equipe LEC/UFPR (@lecufpr e www.lecufpr.net).

 
 
 

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